Neste podcast, Ekedi Maria José compartilha sua trajetória como benzedeira, ekedi e guardiã de saberes ancestrais do Recôncavo baiano. A conversa percorre memórias de infância, a herança familiar transmitida por mulheres que benziam com folhas e palavras, e o modo como essa tradição atravessou sua vida quando se mudou para Minas Gerais, fortalecendo sua identidade, sua prática e seu lugar de fala enquanto mulher negra.
Ao longo do diálogo, Maria José apresenta o benzimento como prática de cuidado integral — do corpo, da mente e do espírito —, sustentada por conhecimento, escuta e responsabilidade. Fala das folhas como instrumento central, dos orixás como linguagem simbólica e do conceito de Orí como eixo de equilíbrio e orientação. Búzios, tarô e leitura das mãos surgem não como adivinhação superficial, mas como linguagens oraculares, poéticas e técnicas, voltadas ao autoconhecimento e à abertura de caminhos.
A entrevista também aborda sua formação em Filosofia pela UFMG, a experiência como professora e a importância do estudo para preservar, compreender e defender os saberes tradicionais frente ao preconceito religioso e à desinformação. Para Ekedi Maria José, conhecimento e ancestralidade não se opõem: caminham juntos, aprofundando a prática e fortalecendo o cuidado.
Entre relatos de atendimento, reflexões sobre o futuro do benzimento e a participação no documentário Bença à Benza, o vídeo revela uma voz firme, generosa e comprometida com a transmissão desses saberes. A conversa aponta ainda para novos desdobramentos, como a escrita e o projeto Assim fala a benzedeira, espaço onde palavra, memória e sagrado seguem em diálogo, afirmando o benzimento como tradição viva no presente.
