Festa de Iemanjá 2026 e a força dos Orixás

Maria José Limaa e Iemanjá

Na infância, ouvi uma explicação que moldou minha forma de ver o mar. Ele não era apenas paisagem. Era divindade. O mar era feminino, plural, sagrado.

Nas águas profundas habita Olokun, matriz antiga e força abissal, reconhecida como mãe de Iemanjá em diversas tradições. Na extensão que liga o fundo à superfície manifesta-se Iemanjá, senhora das águas salgadas, presença associada ao cuidado, à maternidade e à proteção. O vento que percorre o mar e movimenta as ondas remete a Oyá, energia dos ventos e das transformações.

Essa compreensão simbólica encontra expressão pública na Festa de Iemanjá 2026, realizada em Cachoeira, no Recôncavo Baiano. A cidade, referência histórica das religiões de matriz africana, reúne praticantes do Candomblé, moradores e visitantes em uma celebração marcada por cânticos, flores, oferendas e pedidos dirigidos às águas.

O primeiro vídeo que acompanha esta publicação registra momentos da Festa de Iemanjá em Cachoeira (BA), evidenciando a dimensão comunitária e cultural do evento. O segundo apresenta uma reflexão sobre a natureza dos Orixás, abordando seu significado cosmológico e sua relação com elementos da natureza como água, vento, terra e fogo.

A celebração de Iemanjá reafirma vínculos com a ancestralidade africana e com os saberes transmitidos nos terreiros. Também amplia o debate sobre intolerância religiosa e reconhecimento das tradições afro-brasileiras como patrimônio cultural e espiritual do país.

Cachoeira, o mar e os Orixás compõem um mesmo horizonte simbólico. A festa atualiza essa memória coletiva e mantém viva a presença de Iemanjá nas águas e na história.